Estou fraturada e exposta. Tudo dói e eu choro. Uma estranha alegria de dor nasce como um eclipse lunar. Eu não sei. Perdi a palavra e não compreendo o que as placas sinalizam. Se perder é uma arte. Dentro ou fora, dentro e fora, entre. Um puro agora desconexo se ergue fálico e o estupro é eminente. Abandono o corpo ao mesmo tempo em que ativo todos os sentidos para acolher, receber e experimentar esta penetração.
Do lado de fora a curva é uma extensão, interrupção, sequência de
corte, elevação. As formas expiam interseções, meninos brincam e
a vida violência pulsa em silêncio.
"Lo que me gusta de tu cuerpo es el sexo.
Lo que me gusta de tu sexo es la boca....
Lo que me gusta de tu boca es la lengua.
Lo que me gusta de tu lengua es la palabra"
[Julio Cortázar, Alfaguara, 2009]
As vezes copio palavras como se me tivessem sido destinadas.
Prisioneiro do efêmero
passageiro do imperfeito
joga com o acaso
de plagiar a dor do meu desvario.
Enquanto a alma cai
na rede do virtual
você me deflora
no chat do purgatório.
Decomposta em uma cópia infiel
flerto avec un chien
qui não me diz rien.
Una sopa de letrinhas
indigesta e cacofônica
acompanha o silêncio
da dor
que as lembranças despertam.
Balança aqui e ali
o teu despudor
com humor
e Ardor.
Será amor que fica a saudade?