quinta-feira, 7 de junho de 2012

[7]


Esbarro na cristaleira

Quebro cristais

Os cacos no chão

Latejam e lampejam

A pontiaguda morte.

São testemunhos

Do esquecimento

De fogos fátuos

Do teu corpo baldio

E desastrado

Entre os cristais

Do meu desejo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Eclipse

Estou fraturada e exposta. Tudo dói e eu choro. Uma estranha alegria de dor nasce como um eclipse lunar. Eu não sei. Perdi a palavra e não compreendo o que as placas sinalizam. Se perder é uma arte. Dentro ou fora, dentro e fora, entre. Um puro agora desconexo se ergue fálico e o estupro é eminente. Abandono o corpo ao mesmo tempo em que ativo todos os sentidos para acolher, receber e experimentar esta penetração.

sábado, 2 de junho de 2012

Projeto 235 [6]

Do lado de fora
a curva
é uma extensão,
interrupção,
sequência de corte,
elevação.
As formas
expiam interseções,
meninos brincam
e a vida
violência
pulsa em silêncio.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Projeto 235 [5]

Escondo

sob o tapete

as filhas tardias

que o outono

esqueceu

no meu jardim.

Escondo

sob as pálpebras

cerradas

o que não abandono

no esquecimento.

Jogo oculto

devoro

brincar de esconder

decifração.

domingo, 20 de maio de 2012

Projeto 235 [4bis]

Fiapos do teu ficar
no meu fluir.
Vestido de noiva
esfarrapado,
conto de fadas
dilacerado:
a língua de trapo?
A bruxa comeu!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Papeles inesperados

"Lo que me gusta de tu cuerpo es el sexo.
Lo que me gusta de tu sexo es la boca....
Lo que me gusta de tu boca es la lengua.
Lo que me gusta de tu lengua es la palabra"

[Julio Cortázar, Alfaguara, 2009]

As vezes copio palavras como se me tivessem sido destinadas.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

@nônim@

Prisioneiro do efêmero
passageiro do imperfeito
joga com o acaso
de plagiar a dor do meu desvario.
Enquanto a alma cai
na rede do virtual
você me deflora
no chat do purgatório.
Decomposta em uma cópia infiel
flerto avec un chien
qui não me diz rien.
Una sopa de letrinhas
indigesta e cacofônica
acompanha o silêncio
da dor
que as lembranças despertam.
Balança aqui e ali
o teu despudor
com humor
e Ardor.
Será amor que fica a saudade?