Faça um barulho
tão alto
Que me impeça
de pensar.
Faça um movimento
tão brusco
Que me impeça
de reagir.
Faça uma curva
tão fechada
Que me obrigue a
derrapar.
Faça um carinho
tão ousado
Que me inspire
violar. Sofrer. Transpirar. Degustar. Gozar.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
[19]
Um fio esticado
Entre aqui e lá
pulsa.
Um fio suspenso
Amarra e move
deseja.
Um fio atado
Nó e dó.
Um fio afiado
Dor e desatino
Do fiar.
Entre aqui e lá
pulsa.
Um fio suspenso
Amarra e move
deseja.
Um fio atado
Nó e dó.
Um fio afiado
Dor e desatino
Do fiar.
sábado, 18 de agosto de 2012
[16]
Escorre areia
Que sobre o tampo
Espano.
Calo o canto
Que no piano
Estampo.
De mim a fuligem
Da lembrança
Que sobra
Sobre a mesa
De jantar.
O vazio é um manjar
Que sirvo
Com elegância
De sobremesa.
terça-feira, 31 de julho de 2012
[13]
Pela fresta da tua roupa
O movimento
Desperdiçado
Perdido
Esvoaçante.
Entre os dedos da tua mão
O tempo
Desperdiçado
Perdido
Irreversível.
Nas dobras do teu vestido
O desejo
Desperdiçado
Entrecortado
Provocante.
E nas palavras
Jogadas ao léu
As flores mortas
Da paixão.
sábado, 14 de julho de 2012
[12]
O teu quieto
Me inquieta.
O teu manso
Me assanha.
O teu incauto
Me chama.
O teu inábil
Me habita.
Ai de mim
Absinto de ti!
segunda-feira, 9 de julho de 2012
[branco]
Gosto da delicadeza do branco em suas variações
de azuis,
amarelos,
cinzas,
vermelhos,
pretos.
Gosto da agressividade do branco em suas hesitações
meios tons,
rosas,
carmins,
violetas.
Gosto do branco
da incerteza,
do esquecimento,
da refração,
da entrelinha onde leio
a mensagem torta
que o silêncio
entornou.
de azuis,
amarelos,
cinzas,
vermelhos,
pretos.
Gosto da agressividade do branco em suas hesitações
meios tons,
rosas,
carmins,
violetas.
Gosto do branco
da incerteza,
do esquecimento,
da refração,
da entrelinha onde leio
a mensagem torta
que o silêncio
entornou.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Véspera
O tempo
tempera
à ferro
a pele.
Da têmpera
quero o calor.
Do destempero
o ardor.
O tempo
tempera
o aço.
O amor
é feito da têmpera
do laço.
tempera
à ferro
a pele.
Da têmpera
quero o calor.
Do destempero
o ardor.
O tempo
tempera
o aço.
O amor
é feito da têmpera
do laço.
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