O vazio vaga em mim
como uma alma penada.
A alma vaga em mim
como um vazio.
O vazio pena na minha alma.
A vaga alma em mim o vazio.
O vazio alma penada.
Reentrância de vazio.
Reincidência.
Caverna da alma, amores.
A alma traída destila vazio
Corpo ventre vaso
Continente oculto na vaguidão.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
Dizer de mim
Dizer de mim o que não sei. Dizer.
Desdizer de mim o que não sigo. Contramão.
Enigma de mim o que desperdicei. Prazer.
Entender de mim o que senti. Traição.
Gritar de mim o que doía. Insensatez.
Sussurrar de mim o que amei. Ardor.
Murmurar de mim o que desejei. Cantiga.
Soar de mim o que transpirei. Loucura.
Arrebatar de mim o que guardei. Violação.
Vagar em mim o que possuí. Peregrinação.
Tatuar em mim o que cicatriza. Golpe.
Machucar o nervo. Tatuagem.
Recolher em mim o que sobrou. Destroços.
Respirar em mim o que expirou. Naufrágio.
Partir em mim o indivisível. Haraquiri.
Parir em mim o que não quer nascer. Florir.
Interromper em mim (o que quer seguir). Aborto.
Esculpir com desejo a dor. Sade. Esculpir a dor com desejo. Masoch.
Cultivar o belo. Narciso. Desejar o belo. Adriano. Desafiar o belo. Samurai.
Penetrar o vazio mortal. Necrofilia.
Desejar o selvagem (em mim). Zoofilia.
Não desejar a mulher (do próximo). Misoginia.
Navegar o mar intempestivo. Cais.
Viver o hiato da morte. Equilibrista.
Transgredir em mim a lei. Volição.
Afrontar a fronteira. Derrisão.
Vasculhar a lixeira. Desilusão.
Chafurdar na lama. Perversão.
Perdoar o crime de amor. Ilusão.
Esquecer a desilusão. Fantasia.
Matar o amor. Impulso.
Amor que mata. Inesquecível.
Desdizer de mim o que não sigo. Contramão.
Enigma de mim o que desperdicei. Prazer.
Entender de mim o que senti. Traição.
Gritar de mim o que doía. Insensatez.
Sussurrar de mim o que amei. Ardor.
Murmurar de mim o que desejei. Cantiga.
Soar de mim o que transpirei. Loucura.
Arrebatar de mim o que guardei. Violação.
Vagar em mim o que possuí. Peregrinação.
Tatuar em mim o que cicatriza. Golpe.
Machucar o nervo. Tatuagem.
Recolher em mim o que sobrou. Destroços.
Respirar em mim o que expirou. Naufrágio.
Partir em mim o indivisível. Haraquiri.
Parir em mim o que não quer nascer. Florir.
Interromper em mim (o que quer seguir). Aborto.
Esculpir com desejo a dor. Sade. Esculpir a dor com desejo. Masoch.
Cultivar o belo. Narciso. Desejar o belo. Adriano. Desafiar o belo. Samurai.
Penetrar o vazio mortal. Necrofilia.
Desejar o selvagem (em mim). Zoofilia.
Não desejar a mulher (do próximo). Misoginia.
Navegar o mar intempestivo. Cais.
Viver o hiato da morte. Equilibrista.
Transgredir em mim a lei. Volição.
Afrontar a fronteira. Derrisão.
Vasculhar a lixeira. Desilusão.
Chafurdar na lama. Perversão.
Perdoar o crime de amor. Ilusão.
Esquecer a desilusão. Fantasia.
Matar o amor. Impulso.
Amor que mata. Inesquecível.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Infame lua
Levanta-te sobre mim infame lua de âmbar e arrebata meu corpo demente de tanto desejar. Carne viva que o amor esculpiu no amalgama de sangue e osso do meu corpo vão, de mulher malsã. Ergue no escuro do desvario da noite a bandeira desfraldada do meu coração e abençoa com sombras os pecados cometidos pela insensatez.
Escorre branca lua a tua altivez na minha retina insone de tanto sonhar. Entranha no meu passar vagabundo as lantejoulas do teu reflexo; espelho convexo: me deforma enquanto me devora.
Ofereço em sacrifício o meu deleite de te espreitar, banha de prata o meu ardor, pesar e amor, a minha dor. A placidez intransigente do teu reflexo movente sobre o mar, a trajetória intempestiva do teu desejo na paisagem do meu corpo são como faróis em alto mar a guiar a pulsão sem destino. Desenha com a linha incandescente do teu brilho uma tatuagem etérea no filó da cortina que me esconde de ti. E afaga destemida a minha libido de bicho no cio.
Acasala comigo nesta estranha comunhão excomungada e lésbica do grão de areia com o mar, do seixo rolado com o rio, ilumina a centelha da palavra que calo e usa o teu chicote para me fazer gritar até que a morte me silencie e um gozo profundo e aquoso nos una e faça boiar sobre o arrepio que o vento provoca no escuro profundo do mar.
Lua meu fel. Mel que a língua roubou do teu ventre. Tremor de lua e sombra na proa do navio fantasma. Farrapo de vestido de noiva e flores murchas. Tantas lembranças a tua presença afugenta de mim. A tua luz me revela o escuro de mim mesma e a fada revoa feiticeira pelas bordas esfumaçadas de ingênuas nuvens que em vão tentam esconder a tua nudez e o meu despudor.
Oh, lua se me escutasses! Se ao invés de enfeitiçar o meu olhar me desses os ouvidos eu te encantaria como a uma serpente venenosa para que me destilasses o teu veneno até a última gota , e dele eu fizesse a tinta escura para tatuar o meu coração com a agulha da desilusão.
Escorre branca lua a tua altivez na minha retina insone de tanto sonhar. Entranha no meu passar vagabundo as lantejoulas do teu reflexo; espelho convexo: me deforma enquanto me devora.
Ofereço em sacrifício o meu deleite de te espreitar, banha de prata o meu ardor, pesar e amor, a minha dor. A placidez intransigente do teu reflexo movente sobre o mar, a trajetória intempestiva do teu desejo na paisagem do meu corpo são como faróis em alto mar a guiar a pulsão sem destino. Desenha com a linha incandescente do teu brilho uma tatuagem etérea no filó da cortina que me esconde de ti. E afaga destemida a minha libido de bicho no cio.
Acasala comigo nesta estranha comunhão excomungada e lésbica do grão de areia com o mar, do seixo rolado com o rio, ilumina a centelha da palavra que calo e usa o teu chicote para me fazer gritar até que a morte me silencie e um gozo profundo e aquoso nos una e faça boiar sobre o arrepio que o vento provoca no escuro profundo do mar.
Lua meu fel. Mel que a língua roubou do teu ventre. Tremor de lua e sombra na proa do navio fantasma. Farrapo de vestido de noiva e flores murchas. Tantas lembranças a tua presença afugenta de mim. A tua luz me revela o escuro de mim mesma e a fada revoa feiticeira pelas bordas esfumaçadas de ingênuas nuvens que em vão tentam esconder a tua nudez e o meu despudor.
Oh, lua se me escutasses! Se ao invés de enfeitiçar o meu olhar me desses os ouvidos eu te encantaria como a uma serpente venenosa para que me destilasses o teu veneno até a última gota , e dele eu fizesse a tinta escura para tatuar o meu coração com a agulha da desilusão.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Amendoeiras
As amendoeiras estão vermelhas de desejo. Sonham a gravidez da primavera. Esparramam pelo chão o tapete de gala para receber a fertilidade passageira e vã das estações.
As amendoeiras tramam nas minhas retinas como estranhas parteiras filhos que a terra há de parir e comer. Pura desilusão que o tempo despetala no coração.
O sol brinca feito menino entre as folhas sedutoras das amendoeiras que se exibem faceiras diante da placidez azul e atônita do inverno do teu olhar.
As amendoeiras desafiam indiferentes e altivas cada passante que por elas erra sem poder possuí-las. É o cativeiro do vagar na aridez do desejo.
Pulsões embalsamadas em folhas secas desperdiçadas pelo chão, seiva despudorada e outonal que escorre na dança diáfana do cisne que morre.
Ejaculação e transfusão se misturam em húmus fértil e adocicado como o cheiro de perfume barato e batom vermelho que enfeita o decote da puta entediada, sentada de pernas abertas, explícita e vulnerável sobre o tapete vermelho estendido no asfalto esburacado do meu coração.
Não há cura. A patrulha chegou meu amor. Melhor vestir a roupa de domingo. Enquanto isso o gari varre as folhas esquecidas do outono para baixo do tapete da solidão.
As amendoeiras tramam nas minhas retinas como estranhas parteiras filhos que a terra há de parir e comer. Pura desilusão que o tempo despetala no coração.
O sol brinca feito menino entre as folhas sedutoras das amendoeiras que se exibem faceiras diante da placidez azul e atônita do inverno do teu olhar.
As amendoeiras desafiam indiferentes e altivas cada passante que por elas erra sem poder possuí-las. É o cativeiro do vagar na aridez do desejo.
Pulsões embalsamadas em folhas secas desperdiçadas pelo chão, seiva despudorada e outonal que escorre na dança diáfana do cisne que morre.
Ejaculação e transfusão se misturam em húmus fértil e adocicado como o cheiro de perfume barato e batom vermelho que enfeita o decote da puta entediada, sentada de pernas abertas, explícita e vulnerável sobre o tapete vermelho estendido no asfalto esburacado do meu coração.
Não há cura. A patrulha chegou meu amor. Melhor vestir a roupa de domingo. Enquanto isso o gari varre as folhas esquecidas do outono para baixo do tapete da solidão.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Oceano meu
Guardo o oceano dentro de mim e a travessia. Aprendizado de marujo, do que inventa porto em cada encontro e de cada partida um saber se lançar. Navego águas, calmarias, o vento que arrepia o corpo atento. Navego a tensão da ausência de terra à vista e a tentação de me perder nas cartas náuticas manuscritas no meu coração marujo.
Na imensidão do mar que guardo dentro de mim perdi a bussola da razão e aprendi a escutar o canto da sereia que o lobo do mar murmurava em meus ouvidos ingênuos de menina. Eu confundia marulhar com o cantar do vento, e a ventania com o carnaval da tempestade no meu corpo febril. Aprendi que soltava as amarras quando queria e que no mar o desejo é soberano como uma imensa vaga que ameaça o barco da razão à deriva.
Navego dentro de mim o mar que me separa de ti e como parte da natureza selvagem faço as travessias que se impõem como devires na proa corajosa do meu barco.
O amor é um menino em chamas no tombadilho do meu ventre.
Na imensidão do mar que guardo dentro de mim perdi a bussola da razão e aprendi a escutar o canto da sereia que o lobo do mar murmurava em meus ouvidos ingênuos de menina. Eu confundia marulhar com o cantar do vento, e a ventania com o carnaval da tempestade no meu corpo febril. Aprendi que soltava as amarras quando queria e que no mar o desejo é soberano como uma imensa vaga que ameaça o barco da razão à deriva.
Navego dentro de mim o mar que me separa de ti e como parte da natureza selvagem faço as travessias que se impõem como devires na proa corajosa do meu barco.
O amor é um menino em chamas no tombadilho do meu ventre.
domingo, 12 de junho de 2011
[E]namorados
O que me move
te imobiliza.
O que me encharca
te endurece.
A minha teima
te queima.
O pomar é um imã
que (a)trai os frutos (im)puros
da inocência vã.
te imobiliza.
O que me encharca
te endurece.
A minha teima
te queima.
O pomar é um imã
que (a)trai os frutos (im)puros
da inocência vã.
sábado, 4 de junho de 2011
Contrapelo
A vida corre áspera a contrapelo. Os olhos destilam cansaço e teimosia em não chorar. Tudo é secura no sertão do meu desconsolo. É a solidão na latência do meu não. A sensibilidade inteira guardo na mão fechada, corpo trincado de tanto aguentar o tranco até não suportar mais trancar. A mão não vale um pássaro voando e os pés são raízes grossas fincadas na terra dura da provação. Retirante de mim mesma eu embarco no pau de arara da ilusão.
Eu preciso de um trago e de uma canção, de um filme que enrede os afetos volúveis do meu corpo sem paradeiro, sem fio terra, indestinado como uma pulsão. Eu preciso de ti. Eu não me basto em mim.
Olho indiferente o olho que me vigia. E escuto com ouvidos moucos a voz que aterroriza o momento de distração, o meu descuido. O esquecimento é cansaço e eu luto em vão contra as explicações, o entendimento do senso comum, a culpa moeda de troca no mercado das decepções. Enquanto isso a paranoia me espreita, solapa a noite e se deita ao meu lado no escuro do meu medo. Deponho as armas e acolho o desespero. Que é um sapo entalado na garganta do meu grito calado.
Preciso da força que perdi, da teimosia que desperdicei no exercício da complacência comigo mesma, com o policial infame, nas relações aviltantes corruptas e corrompidas. Ah, o insulto que não proferi! Ah, as palavras que não escrevi! E se eu tivesse gritado, e se eu tivesse me indignado a ponto de me expor indefesa e raivosa diante da fila interminável dos complacentes? E se eu não tivesse sido condescendente, talvez o cansaço não me tivesse abatido e o esquecimento não se instalasse como aquele véu mortiço, anestesia letal da dor.
As passagens estreitas me fazem olhar para o infinito. As passagens estreitas me fazem desviar os olhos do dedo (que me acusa) e contemplar a estrela (que me redime).
Eu preciso de um trago e de uma canção, de um filme que enrede os afetos volúveis do meu corpo sem paradeiro, sem fio terra, indestinado como uma pulsão. Eu preciso de ti. Eu não me basto em mim.
Olho indiferente o olho que me vigia. E escuto com ouvidos moucos a voz que aterroriza o momento de distração, o meu descuido. O esquecimento é cansaço e eu luto em vão contra as explicações, o entendimento do senso comum, a culpa moeda de troca no mercado das decepções. Enquanto isso a paranoia me espreita, solapa a noite e se deita ao meu lado no escuro do meu medo. Deponho as armas e acolho o desespero. Que é um sapo entalado na garganta do meu grito calado.
Preciso da força que perdi, da teimosia que desperdicei no exercício da complacência comigo mesma, com o policial infame, nas relações aviltantes corruptas e corrompidas. Ah, o insulto que não proferi! Ah, as palavras que não escrevi! E se eu tivesse gritado, e se eu tivesse me indignado a ponto de me expor indefesa e raivosa diante da fila interminável dos complacentes? E se eu não tivesse sido condescendente, talvez o cansaço não me tivesse abatido e o esquecimento não se instalasse como aquele véu mortiço, anestesia letal da dor.
As passagens estreitas me fazem olhar para o infinito. As passagens estreitas me fazem desviar os olhos do dedo (que me acusa) e contemplar a estrela (que me redime).
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